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credits: Still Life with Books, by Jan Lievens.

Literature

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Literature

"And the sailor sat and rested. Intertwined the hairy fingers into his long beard and looked at everything that was not his -- all of reality, in short, from the salty foam of the suicidal waves to the clouds and their castles. Wore out the tired retinas all through the environment and made himself present in the present, making the most of the unique instant he, already in the winter of his life, has ever lived.

"Got up. Stretched his body and described arc with the old spine. Shaped himself in fish, raising the arms in a arrow. Jumped into the water and swam and felt the whole sun burned body burning from the salt. He regurgitated himself from the air and reinvaginated into the warm waves, swimming nearby obtuse stones, without fear, without reservations. He was and began to be. And he smiled."

That's the literature room, where you can find some of my writing projects and some about what I am currently reading.

Mostly of my texts are written in Portuguese, my native language, and they can range from instrospective and biased thoughts on the reality of confused characters to drunks peeing. Enjoy.

Also, noticing our reading time has decreased substantially, me and a friend of mine, Authoritarian Venus, decided to engage in a reading project: we shall read one book a month for the whole year, having rewards for reading extra books. I'll try to document here the books read.

The Sailor

One book a month, the project

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One book a month, the project

Here's the list of the books according to their month, as well as the extra books. By clicking on their titles, you can see the date I completed them, the rating given, and a short commentary.

  • >     July: The Passion According to G.H., by Clarice Lispector;
                       The curious case of Benjamin Button;
    • Completed: July, 13, 2026;
    • Score: 08/10;
    • Commentary: I feel like I'll visit this book many times in the next few years. Many times while reading, I cross-dressed myself into G.H..
    • Completed: July, 14, 2026;
    • Score: 06/10;
    • Commentary: definitely an American classical. Loved it, great idea.
  • >     June: The Bell Jar, by Sylvia Plath;
                       Frankenstein, by Mary Shelley;
    • Completed: June, 7, 2026;
    • Score: 08/10;
    • Commentary: another hard to swallow book. A type of coming-of-age book.
    • Completed: June, 23, 2026;
    • Score: 10/10;
    • Commentary: an extra book for the month. And not "a book", but **the** book! Frankenstein have been with me for longer than my own identity.
  • >     May: On the Road, Jack Kerouac;
    • Completed: May, 31, 2026;
    • Score: 05/10;
    • Commentary: I may have expected too much from the book? Loved the story, but it seems to repeat itself over and over again, either in a desperate attempt by Kerouac to show what it was like to be a beatnik, or for the sake of an extremely well detailed semi-autobiographical novel.

      On the Road is amazing, but I think it disappoints by failing to develop the characters and by overlooking details and events that would have been crazily fascinating in a complete fiction -- again, likely in an unnecessary effort to make it as autobiographical as possible.
  • >     April: Dry Lives, by Graciliano Ramos;
    • Completed: April, 5, 2026;
    • Score: 07/10;
    • Commentary: incredibly deep characters, a hard to swallow book; required reading.
  • >     March: Benjamin, by Chico Buarque;
    • Completed: February, 28, 2026;
    • Score: 09/10;
    • Commentary: this book was a gift from a special relative. I love the style of Chico Buarque and reading his books is always a pleasure. Interesting story, incredible characters; Loved every word, every sentence, I simply devoured it.

      Note: as my friend and I began defining the reading project sometime between the late February and early March, Benjamin is referred as my March book, although it has been completed in February.
  • >     February: Brazilian Holocaust, by Daniela Arbex;
    • Completed: February, 3, 2026;
    • Score: 07/10;
    • Commentary: good reportage. Read for university.
  • >     January: Crime and Punishment, by Fyodor Dostoevsky;
    • Completed: January, 2, 2026;
    • Score: 10/10;
    • Commentary: This book is a disruptive point in my life. I was reading it before January, that's why I could complete it in the second day of the year.

Writings

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Writings

  • >    [October, 06, 2024] De todos os males do mundo, o melhor que poderia acontecer

    This text was written as a school essay. I wrote it with an artistically inclined friend; he wrote a fantastic story about a Venezuelan girl who explores her dreams, while I wrote this story about a drunk guy who takes a pee.

    Note: the title of the story is stolen from an independent singer from Gay Harbor, Brazil: Gabriel Orling.

    Mesmo 'num calor insuportável d'um país tropical, todos os garotos no baile -- me incluindo nessa lista -- insistiam em ternos de tecido grosso com gravatas d'um tecido ainda mais grosso; gravatas essas que tinham sempre a mesma cor azul-turquesa horrível -- eu as odiava plenamente, sempre preferi as de cor sólida comum, sem estampa ou qualquer tipo de barrocagem inútil. No fim, eu não ligava muito: continuava sentado, quase como arrogante, 'numa dessas mesas que estão sempre longe da pista de dança. Também aproveitava para tomar um desses drinks alcoólicos que só adolescentes têm coragem o suficiente para beber. Ó!, tão medíocres e mesquinhos esses adolescentes!, eu resmungava, mesquinho e medíocre.

    Tentava observar as pessoas, quase com'um repórter tímido: mesmo após horas de festa, todos continuavam a teimar em rodar no centro do salão iluminado apenas por algumas pequenas lâmpadas no teto alto. As garotas, com seus vestidos rendados e às vezes até bordados, brincavam de mexer enquanto penduradas nos braços dos parceiros muitas das vezes exageradamente mais altos. Àquela hora, as bexigas 'inda tentavam se manter sob e sobre as filetas de ar onipresente; já os confetes coloridos: nem se falava mais deles, talvez por estarem ocupados demais sendo pisoteados pelos saltos das moças e pelos sapatos-tênis terríveis dos rapazes -- eu gostava de criticá-los até perceber que, por causa de mamãe, também usava sapatos-tênis.

    A realidade voltou a mim quand'um amigo -- de quem o nome eu nunca nem descobri qual era -- chegou me perguntando se'u queria rodar. Eu não tinha parceira, muito menos vontade p'ra dançar, mas, talvez por efeito d'álcool, apenas levantei e acompanhei-o até a pista.

    Já no centro, alguns casais iam embora, cansados e suados, mas verdadeiramente felizes; alguns outros 'inda remexiam os corpos com ardor de começo de festa -- talvez pensassem que duraria eternamente. Eu, por minha vez, seguia estático atrás do meu amigo, que'ssa hora tentava paquerar uma das garotas também sem companhia. Não tinha muito que'u fazer; a única garota que'u tinh'interesse dançava com outro rapaz de quem eu nunca ouvi falar sobre.

    Vanessa era morena, de vestid'amarelo com bolinhas brancas, sorridente de sorriso perfeitamente ordinário, d'um cabelo crespo tão bonito que chegava a ser injusto comparar com outros ali. Já ele: louro, cabelos cacheados, mais alto e mais bem-encorpado que eu.

    Os dois pareciam se contentar em rir p'r'o nada, felizes, cientes apenas do próprio mundo.

    Quando menos percebi -- afinal, eu estava bêbado --, encontrei-me sozinh'ali no meio -- meu amigo conseguira levar a garota par'um dos quartos privados do salão e provavelment'estavam, como qualquer outra pessoa de nossa idade, se divertindo juntos. A bebida me deixara tão grogue que'u mal conseguia diferenciar as pessoas das luzes coloridas da festa; minhas pernas bambeavam e meus olhos, cerrados, tentavam identificar o que raios havi'um palmo a frente. Talvez eu estivesse realmente preso em alguma dimensão paralela onde luzes dançavam sem o menor porquê.

    Após um tempo que nem mesmo sóbr'eu poderia contar, o DJ gritou a tod'os pulmões que haveri'uma troca de casais para's próximas danças. Assim, sem nem mesmo ter processado o que'l'avia falado, percebi-me dançando com uma garota do qual o rosto parecia janel'enodoada ou furacão tranquilo.

    Após um tempo que nem mesmo sóbr'eu poderia contar, o DJ gritou a tod'os pulmões que haveri'uma troca de casais para's próximas danças. Assim, sem nem mesmo ter processado o que'l'avia falado, percebi-me dançando com uma garota do qual o rosto parecia janel'enodoada ou furacão tranquilo.

    Aos poucos, como cartógrafo descobrind'um mundo, fui localizando suas feições, reconhecendo-a, ao fim, como desconhecida. Sorria como se não houvesse problemas no mundo, como se gostasse de fazer o que fazia. E, apesar disso, ignorei-a para sondar a procura de Vanessa, qu'agora dançava com o que pareci'uma criança -- ou er'um anão? Não importava de fato! Como todo bêbado, ganhei dose de adrenalina e agor'eu, falsamente corajoso, queria rodar com ela!

    "Trocando!", o DJ gritou e, como em jogo de mestre mandou, todos obedeceram sem reclamar.

    Embor'eu tenha sentid'a sensação de ter corrido, tenho certeza qu'eu simplesmente soltei das mãos d'outra moça e, cambaleando, caminhei em direção a Vanessa, estendendo-a a mão, sem lhe oferecer palavra alguma. Ela, então, sem nem hesitar, aceitou e, sem o menor porquê, começamos a rodar ao ritmo d'uma música chata de balada. Mesmo com a minha presença, ela continuava a sorrir, quase como se divertisse com coisa qualquer ali.

    Eu não falava nada, apenas fitava seus olhos pestanejantes de maneira que os meus ficassem acorrentados aos dela. Durante distrações, ela parecia não me perceber, assistindo às danças dos outros através do meu corpo. Minhas pernas, bambas, não me permitiam movimentos bruscos, então eu acabava por girá-la de maneira devagar e quas'esquizofrênica, provavelment'entediando-a no processo. Mas, pelo menos, dos rápidos giros, eu recebi'um belo vislumbre dos traços gentis de seu rosto. E, quando dessa meneir'eu poderia vê-la, sentia sentir sentimento de confusão, mas também d'algo como calma e tranquilidade. Talvez esse sentimento se resumisse a vonta'd'esquecer-se como se respira, só par'então, nos poucos minutos de vida que me restarem, eu ter de reaprender de novo e de novo junto daquela garota -- sentido, afinal, eu não precisav'ali, pois toda razão, de forma ridícula e adolescente, eu vi'em Vanessa.

    O DJ mandou trocarmos novamente os casais e assim, sem mais nem menos, a Vanessa já dançava com outra pessoa. Fiquei tão atônito que nem mesm'abaixei as mãos da posição comum às valsas. Estático assim continuei até a adrenalina baixar, pois ninguém mais viera dançar comigo.

    De repente, quase simultaneamente, como se espirit'eu fosse e voltasse ao meu corpo e o álcool descesse à bexiga, senti uma tremenda vontade de mijar. Estava tão bêbado que nem vi o banheiro do salão log'ao lado: só passei por ele e fui urinar lá fora.

    Minha bexiga já gritava em agonia, 'numas notas tão quebradas quanto completamente desafinadas. Estava tão apertado que mal procurei lugar adequado: só abri o cinto junto à braguilha e urinei em qualquer canto. Terminado, balancei, levantei a calça e fechei o cinto -- infelizmente esquecendo a braguilha aberta; me arrependeria mais tarde ao encontrar com amigos. Olhando a paisagem, pensei, sorrindo estranhamente, qu'esqueceria de tudo o que aconteceu ali. Assim confirmei o nada, ri de minha idiotice e, aos tropeços, voltei ao salão.

  • >    [September, 10, 2024] Cadê o pires?

    dated from May, 21st, 2024; an study about elisions.

    O café pingou’m pouco de si sobre a mesinha de’star quando o peguei. Eu’spiei dentro da xícara’marela qu’agora’braçava minhas mãos, talvez na tentativa de entender por que dividira tanto de si com tantos outros. Então ouvi o piano d’eternidade tocand’entre pare’des’egundos — ou foram’inutos? —, e’ntão percebi não se lembrar se havia recordado d’alg[u]’esquecid’ou esquecido d’alg[u]’irrecordável. E à luz desse pensament’entristeci-me quase como se viss’uma memória perdid’um passado não mais existente que se confunde co’existente no meio d’inexistente, assim como se faz uma paisagem através d’uma port’enodoada.

    Manejei a cabeça para observar’o fogo matand’a si mesmo na lareira já enfeitada para o natal. Tinham meias de diversas cores ali, além, claro, dos presentes mais simples de tamanho simplório e d’um crucifixo com o corpo de cristo. Quanta barrocagem!, pensei enquanto sorria ao gozo da palavra que tinha acabado de criar. Logo, sem perceber, havia levado-me ao barroco nas pernas da mesa à frente, também sem sentido algum em suas antíteses e contradições, assim como seus detalhes ostentadamente desnecessários, especiais e belos da forma mais banal de serem; barrocagem inútil apenas para confundir pessoas não pertencentes a tudo isso! Quanta estupidez jogada como dados em letras sem acepção alguma.

    Aquele professor gostava de arte barroca, não? Qual era mesmo seu nome? El’era mesmo um professor? Provavelmente, recordei-me rangend’o típico sorris’amarelado brasileiro. Er’exótico da maneira mais natural possível de ser. Até seu jeito de andar er’exótico, sempre batend’involuntariamente com os dedos dos pés involuntários em móveis traidores. Coaxei rindo dos muitos relógios que tinha. Oh, eram tantos!, de tantas cores diferentes!

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